Maia é culpado por perda da MP do 13º do Bolsa Família, diz Bolsonaro

Bolsonaro culpa Maia por fim do 13º do Bolsa Família

Bolsonaro culpa Maia por fim do 13º do Bolsa Família

MATEUS BONOMI/AGIF – AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF – AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Durante transmissão ao vivo nas redes sociais na quinta-feira (17), o presidente Jair Bolsonaro atribuiu a perda de validade da medida provisória do 13° salário do Bolsa Família ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele também indicou que a cobrança pelo 13° neste ano também fosse endereçada a Maia. A reação do deputado foi quase imediata. Maia afirmou que Bolsonaro foi “mentiroso” em sua fala.

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“Sabia que não teve (13° para o Bolsa Família) nesse ano? Foi promessa minha? Foi. Foi pago ano passado? Foi. Mas, o presidente da Câmara deixou caducar a MP. Vai cobrar de mim? Cobra do presidente da Câmara”, disse Bolsonaro ontem.

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Na época em que a MP caducou, contudo, aliados do governo desestimularam a votação do texto. Isso porque o relatório do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) tornava o 13º do Bolsa Família uma política permanente e incluía o pagamento também para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda que já recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Com as mudanças, o impacto para os cofres públicos seria de R$ 7,5 bilhões ao ano.

Neste ano, o governo não enviou proposta quanto ao 13° do Bolsa Família. Maia afirmou que colocará em pauta nesta sexta-feira (18), a MP que estende o auxílio emergencial com a inclusão no texto do 13º para os beneficiários do programa social, algo que não está previsto na proposta original enviada pelo governo. A expectativa de Maia é que o texto possa ser votado no Senado na segunda-feira (21).

Auxílio emergencial

O presidente Jair Bolsonaro voltou a bater na tecla do nível de endividamento do Brasil para justificar o encerramento do pagamento do auxílio emergencial ao fim deste ano. Ele afirmou que a dívida interna do País está na casa dos R$ 5 trilhões e que, só na pandemia de covid-19, o endividamento cresceu cerca de R$ 700 bilhões.

O mandatário comparou a situação brasileira à do cliente de uma venda para quem o dono do estabelecimento não aceita mais vender fiado. “Não tem como dar mais”, insistiu o presidente. Na “live” semanal, ele também disse que a imprensa trata o ex-presidente do regime militar João Figueiredo como ditador, mas, segundo ele faria referência ao cubano Fidel Castro como “presidente”.

Privatizações

Ao relembrar sua visita à Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo) no começo da semana, Bolsonaro tentou explicar porque, naquela ocasião, bradou contra a privatização daquela estatal, mas, ainda assim, seria a favor de vender “um montão” de empresas públicas.

Ele voltou a insinuar que o governador paulista, João Doria (PSDB), estaria trabalhando pela privatização da Ceagesp, que pertence à União, para, nas suas palavras, “arrebentar” com o entreposto e “vender baratinho para os amigos”.

Em seguida, Bolsonaro reclamou que a imprensa apontou o caráter estatizante de sua fala na Ceagesp. “Eu quero que privatize um montão. Mas privatizar não é pegar e botar na prateleira. É uma burocracia enorme”, alegou. “O STF decidiu que certas empresas só podem ser privatizadas com aval do Congresso. Está na cara que algumas nem vamos tentar privatizar. Privatização é bem-vinda com critério sério, objetivo”, disse.

Diesel

Bolsonaro também afirmou na transmissão ao vivo ter enviado mensagem ao presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, para questioná-lo sobre o preço do diesel nas bombas de postos. Segundo Bolsonaro, a informação recebida é de que, nas refinarias, esse combustível está com preço 20% inferior ao praticado em 2019.

“Mas, no final, na bomba, está maior. De onde vem? Dos impostos. Os federais, a Cide está zerada. Os estaduais, varia (sic), em torno de 30%. Entra ainda a margem de lucro das distribuidoras e do próprio posto”, comentou Bolsonaro. “Estamos tentando quebrar o monopólio [das distribuidoras], mas não é fácil”, disse.

Ele apontou também que a interferência que poderia ter sobre o assunto seria demitir Castello Branco, mas logo acrescentou que não vai fazer isso. Ainda assim, o presidente garantiu: “nós fazemos o que é possível pelos caminhoneiros.”