Novembro 25, 2020

Funcionários legitimaram agressões a negro assassinado, diz delegada

A polícia vai investigar a conduta de funcionários que não se manifestaram contra as agressões de dois seguranças que espancaram até a morte um cliente negro em um supermercado em Porto Alegre, no Rio Grande Sul, na noite de quinta-feira (19). A dupla foi presa em flagrante e responderão por homicídio triplamente qualificado.

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Delegada Roberta Bertoldo fala sobre as investigações do caso
Delegada Roberta Bertoldo fala sobre as investigações do caso Reprodução/Record TV

"Outras pessoas que trabalham neste supermercado vieram até ali, nada fizeram. Ou seja, contribuíram para que esse desfecho viesse a se dar, sob a alegação de que aguardavam a Brigada Militar comparecer ao local", afirma a delegada responsável pelo caso, Roberta Bertoldo, em entrevista ao Balanço Geral, da Record TV.

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Segundo a delegada, eles chegaram inclusive a ameaçar quem registrava as agressões pelo celular. "Não impediram as agressões e mais: ameaçaram pessoas que estavam ali no entorno, outros clientes, outros prestadores de serviço, que filmavam as cenas e exigiam explicação daquilo que estava acontecendo, pediam que isso não se desenvolvesse." A conduta de omissão também contribuíram para o assassinato da vítima, esclarece a delegada.

Bertoldo disse ainda que funcionários do mercado, em resposta aos apelos, alegaram que a vítima havia agredido outros clientes. O fato, no entanto, ainda não foi confirmado pela polícia. "Suspeitamos que este fato não tenha ocorrido pela forma como ele vinha sendo conduzido ao estacionamento, de forma tranquila, sem qualquer alteração entre as partes", afirmou.

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Havia três grupos no entorno, os que agrediam a vítima, os que estavam em volta e tentavam dissuadir o ato e as pessoas vniculadas ao mercado que nada faziam, apenas justificavam o ato como algo necessário. "Aquela conduta é completamente desnecessária, abusiva, tão abusiva que veio de forma irracional a causar a morte desse homem".

"Todos os funcionários do supermercado que estavam no entorno da vítima e dos seguranças naquele momento serão responsabilizados na medida em que suas condutas contribuíram ou não para aquele desfecho", afirmou Bertoldo. 

 

João Beto Freitas, assassinado em um supermercado
João Beto Freitas, assassinado em um supermercado Reprodução/Facebook

 

A polícia investiga também a hipótese de morte por asfixia. Para isso, é aguardado o resultado da necropsia do Instituto Geral de Perícias. 

Segundo a delegada, os peritos que estiveram no local do crime identificaram sinais de asfixia. Isso não significa necessariamente que a pessoa foi esganada ou estrangulada, detalha Bertoldo. "Durante as agressões a essa vitima, a costodiaram deitada, ficaram sobre ela um determinado tempo e isso pode ter feito com que ela tenha tido dificuldade de respirar e portanto viesse a asfixiar."

A delegada destaca que a hipótese ainda não foi confirmada. Segundo ela, a causa da morte não provoca alterações nas investigações. "Não significa, se a causa for asfixia ou ataque cardíaco ou traumatismo craniano, que venha a mudar o fato que foi acontecido que foi o homicídio doloso."

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